Blog da Transporte Ativo
23jan/121

365 dias na vida de uma bicicleta

Uma agência de comunicação em Nova Iorque conduziu um experimento curioso durante o ano de 2011, prenderam uma bicicleta toda equipada em um bicicletário ao ar livre no bairro do SoHo. Depois, uma foto por dia que mostraram o lento desaparecimento da bicicleta.

Uma imagem bonita e triste, mas que ilustra a bicicleta parada e seu valor maior, o potencial de movimento e de uso. As peças dispersas alimentaram o comércio de peças roubadas, ainda que de valor muito baixo. Mas o vídeo faz lembrar daquela bicicleta parada, que só acumula poeira e poderia servir ao nobre propósito de circulação.

Vale nos mirarmos no que é bonito do vídeo e devolver a circulação uma bicicleta ou peças paradas.

5jan/121

Bicicletários nas ruas

Uma boa novidade já está presente nas ruas de Nova Iorque, são bicicletários públicos instalados nas esquinas. Uma idéia simples com benefícios secundários que favorecem a segurança viária em geral.

As doze ou quinze bicicletas paradas além de facilitarem a vida dos ciclistas, aumentam e muito a visibilidade nos cruzamentos, contribuindo para que todos os condutores possam interagir melhor. Além disso, por ser na rua, o bicicletário garante a total segurança e conforto dos pedestres que ficam livres das bicicletas estacionadas de maneira improvisada em postes e no mobiliário urbano.

Repensar a mobilidade e o uso do espaço público passa por pequenos e grandes detalhes. Um bicicletário em uma esquina é um excelente projeto piloto para repensar as cidades, quando estacionar bicicletas nas ruas torna-se política pública é o sinal definitivo de que a cidade está mudando em favor dos cidadãos.

O Rio de Janeiro já conta com bicicletas públicas estacionadas nas ruas, uma solução que a Transporte Ativo apóia desde sempre, continuaremos a colaborar para que essa idéia cada vez mais seja entendida e apoiada pelos gestores de trânsito.

22dez/114

Bicicletas estacionadas

As contagens de bicicletas continuam, desta vez estacionadas. Com o aumento de bicicletas circulando, aumenta a necessidade de locais para estacioná-las.

Para ter uma idéia de quantas são e onde instalar bicicletários, a Transporte Ativo foi a campo, com patrocínio do Banco Itaú, para contar as bicicletas estacionadas no principal corredor comercial de Leblon, Ipanema e Copacabana, bairros com o trânsito já bastante comprometido e com um volume de uso de bicicletas que vem crescendo a cada dia.

Algumas medidas para facilitar o estacionamento de bicicletas já vem sendo tomadas, na cidade do Rio de Janeiro, como a resolução SMAC 438 para pedidos de bicicletarios e o decreto 34481 que libera o estacionamento de bicicletas em postes. Mas ainda há muito a ser feito e esta contagem é apenas mais um passo nesta busca por estacionamentos práticos e seguros para nossas bicicletas.

Baixe o relatório aqui, ou clicando na imagem acima.
Conifra o Álbum de Fotos.

Mais sobre contagens no blog.

30nov/112

Ficou mais fácil pedir um bicicletário

suporte U-invertido ou Sheffield

Promover o uso da bicicleta é buscar alcançar um horizonte distante e ao mesmo tempo ter pequenos objetivos claros e factíveis. Dentro dessa lógica, mais uma vez a prefeitura do Rio de Janeiro teve a ajuda da Transporte Ativo para implementar uma grande mudança.

As solicitações para a instalação de bicicletários em logradouros públicos na cidade do Rio de Janeiro devem obecer ao código de posturas e uma regulamentação específica. É a resolução SMAC Nº 498 publicada em 22 de setembro de 2011. Um pequeno legado do dia mundial sem carro, mas acima de tudo uma conquista que irá facilitar o estacionamento de mais bicicletas pela cidade.

Art. 2º As solicitações a que alude o caput do artigo anterior far-se-ão mediante requerimento dirigido ao Gerente da 2ª Gerência de Projetos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente podendo ser protocoladas nessa Secretaria ou nas suas unidades descentralizadas ou ainda requeridas através do seguinte endereço eletrônico: ciclovia@pcrj.rj.gov.br, através do qual o
interessado receberá orientação.

§ 1º O requerimento poderá ser firmado por qualquer interessado, devendo conter, no mínimo, a sua identificação, endereço e telefone, a indicação do local onde pretende instalar o bicicletário (rua/avenida, número de referência, bairro e descrição da área), podendo a Administração solicitar outras informações que entender imprescindíveis à apreciação do pedido.

A publicação da resolução foi mencionada em um post anterior, entenda: Novos Bicicletários nas ruas. Conheça o teor da resolução SMAC 498 que estabelece os procedimentos relativos às solicitações para autorização de instalação de bicicletários em logradouros públicos no Município do Rio de Janeiro. Aos Cariocas, solicitem seus bicicletários, já os moradores de outras cidades podem sugerir ao poder público municipal que crie uma regra parecida.

22nov/111

Bicicletas e micropolítica

Ciclofaixa de Moema

Ciclofaixa de Moema em São Paulo - Foto Vá de Bike

O uso da bicicleta como meio de transporte é tendência mundial, inexorável. Mas isso é ponto pacífico e há um longo caminho até tornar nossas cidades amigas da bicicleta.

Durante anos São Paulo investiu uma enorme quantia de recursos financeiros em grandes obras viárias, uma iniciativa que atendeu à demanda por espaço público para o deslocamento de automóveis e que por fim acabou por minar a eficiência urbana da cidade. As perdas econômicas geradas pelos congestionamentos aos poucos sufocam a cidade além de destruir a qualidade de vida.

As bicicletas são parte da solução para a (i)mobilidade paulistana, assim sendo após anos de muitos planos e poucas obras a cidade recomeçou a partir de 2008 a investir, timidamente, em iniciativas que beneficiem os ciclistas. Mas é como tentar trocar a roda da bicicleta sem parar de pedalar. É preciso aprender a melhor maneira de planejar e executar o planejamento cicloviário em uma cidade que é viciada no uso do automóvel.

O caso de Moema e as primeiras ciclofaixas permanentes de São Paulo foi um exemplo fundamental de como é importante a união de diversos atores da sociedade civil e do poder público para construir consensos e transformar o espaço urbano. A conjuntura no bairro era de conflito entre moradores, comerciantes e a autoridade de trânsito, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O conflito no entanto pouco tinha a ver com as bicicletas e mais com a perda de espaço no viário para o estacionamento de automóveis. O fluxo de pessoas dirigindo seus carros e a necessidade dos moradores de pernoitarem seus automóveis na rua por falta de espaço nos prédios é uma demanda local que foi duramente atingida.

Em meio a um universo de moradores e comerciantes descontentes a ciclofaixa foi implementada e por pouco não entrou no balaio de gato na batalha entre a CET e a população de Moema. Felizmente através da participação de indivíduos e entidades em favor da mobilidade em bicicleta a Associação de Moradores e Amigos de Moema (AMAM) buscou aliar-se aos ciclistas na tentativa de dialogar e apresentar suas demandas para a autoridade de trânsito.

Pode parecer conflitante que moradores e comerciantes em busca da retomada do espaço público para o estacionamento de veículos particulares possam se aliar à ciclistas em favor de mais e melhor infraestrutura cicloviária, mas essa união representa um passo fundamental para a construção de uma São Paulo mais humana e democrática.

A agenda comum a todos os cidadãos em São Paulo é a mesma, diminuição da insegurança viária (principalmente para os mais frágeis), melhoria na acessibilidade urbana para todos e por fim, um planejamento que permita fazer o desenvolvimento urbano de maneira mais democrática.

Ciclistas e AMAM
Reunião entre ciclistas e a AMAM. Foto: Willian Cruz - Vá de Bike.

Para atingir todos esses resultados, é preciso agir nas pequenas e grandes esferas de poder. Unir moradores e comerciantes em torno de um discurso que vá além do uso do espaço público por veículos particulares e promova novas opções de deslocamento em calçadas de qualidade, com transporte público de fácil acesso e claro com espaço seguro para a circulação de bicicletas.

O exemplo a seguir é do que aconteceu na Holanda quando a sociedade civil resolveu garantir seus direitos e a segurança de suas crianças em detrimento da priorização da circulação de automóveis.

23ago/113

Bicicletários e equipamentos culturais

Quem pedala também gosta de cultura e usa a bicicleta como meio de transporte para ir até equipamentos de lazer. Atender ao ciclista e recebe-lo já está inclusive previsto na legislação municipal. A lei 14.266/2007 diz que:

Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios
públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios,
parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir
locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos
como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.

Mas lei no papel é letra morta e vale sempre à pena ir verificar como o ciclista é recebido. Foi esse o propósito do vídeo que tem Aline Cavalcante (@pedaline) como protagonista.

25fev/112

Novos bicicletários nas ruas

No Rio de Janeiro, hoje, se alguém ou alguma empresa quiser pedir a instalação de um bicicletário na rua, é um procedimento um tanto complicado.

Para mudar esta situação, a Prefeitura está preparando um novo modelo para pedidos de bicicletários.

A Transporte Ativo e a Coordenação do Programa Cicloviário estão trabalhando em conjunto para estabelecer novos procedimentos. O GT Ciclovias está preparando um documento com modelos e padrões que serão adotados pela prefeitura carioca na instalação de bicicletários em logradouros públicos.

O condomínio comercial Cidade do Leblon está participando como projeto-piloto. O bicicletário instalado num dia já era sucesso de público no dia seguinte.

Bicicletário no Cidade Leblon

bicicletário U-invertido no Cidade Leblon

Foram seguidos os padrões indicados nos manuais publicados pela TA, com opção para o suporte U-invertido (também conhecido como Sheffield).

suporte U-invertido ou Sheffield

Uma foto colocada no post Quanto custa um bicicletário inspirou o condomínio a fazer uma melhoria no suporte. Um adesivo plástico grosso foi colocado nos pontos onde o quadro da bicicleta encosta no suporte.

adesivo plástico para proteger a bicicleta

Desta forma, tanto a bicicleta quando o suporte ficam protegidos.

Agora você já pode estacionar sua bicicleta no Edifício Cidade do Leblon, na sombra e com segurança. O bicicletário fica em frente à entrada principal, onde há sempre seguranças.

Esperamos que este exemplo se repita pela cidade e que a iniciativa da prefeitura, de facilitar a instalação de bicicletários, torne mais fácil e seguro estacionarmos nossas bicicletas no Rio de Janeiro.

14dez/104

Quanto custa um bicicletário

A instalação de um suporte modelo U invertido varia de 200 a 400 reais por suporte.  

   

 Cada suporte apoia duas bicicletas. Assim, uma vaga de bicicleta custa entre 100 e 200 reais, dependendo da região do país e do tamanho da cidade. Em capitais, serviços de serralheria geralmente são mais caros do que nas cidades do interior.Os preços acima consideram apenas compra e instalação do suporte. Caso seja necessário preparar a área, é preciso acrescentar outros gastos.   

Fizemos uma amostragem de preço em São Paulo, Belo Horizonte e Montes Claros (MG) e também junto às empresas que vendem bicicletários pela internet. Levantamos somente o preço do modelo U invertido, considerado o mais adequado em termos de eficiência e benefícios para o ciclista.   

Serão citados nominalmente todos os que responderam nosso contato e enviaram orçamento. Agradecemos ao Carlos Eduardo Queiroz pela ajuda na pesquisa.   

Em São Paulo, Silas Batista cobra R$ 320,00 por suporte, incluídos gastos de instalação.
Em Belo Horizonte, a Serralheria Irmãos Santiago faz um preço unitário de R$ 205,00, também incluída a instalação. Veja cópia do orçamento.
Em Montes Claros, norte de Minas, a Ellit Móveis nos passou quatro preços, sem os custos de instalação:   

• Modelo para fixação na superfície com:
Tubo de 50 mm ou 2” – R$ 98,00 (noventa e oito reais);
Tubo de 75 mm ou 2½” – R$ 138,00 (cento e trinta e oito reais).   

• Modelo para chumbagem no solo com:
Tubo de 50 mm ou 2” – R$ 74,00 (setenta e quatro reais);
Tubo de 75 mm ou 2½” – R$ 114,00 (cento e quatorze reais).   

Pela internet   

Alguns empresas oferecem bicicletários pela internet. Das empresas listadas em nosso site,   

Cicloparking
Altmayer
Soluwan
K9sports
Ilumak   

apenas a Cicloparking respondeu ao contato. Além do tradicional modelo Uno, oferece outros tipos U invertido, inclusive com variações estéticas bem agradáveis, como os modelos Rio, Duo e Plus. Reproduzimos a seguir a resposta:   

Nossos valores são bem variados de acordo com o modelo podendo atender às diversas necessidades dos clientes. Dentre os modelos mais utilizados em condomínios e escolas temos:

- Modelo suspenso (de parede) individuais = modelo G1... R$ 35,00
- Modelo suspenso módulo com 12 vagas = modelo T3...R$ 598,00
- Modelo de chão módulo com 5 vagas = modelo C5..... R$ 268,00 

Já modelo utilizados por empresas, espaço abertos/públicos, prefeituras de cidades, a Cicloparking desenvolveu uma linha específica com suportes de alta intensidade em itens de segurança, durabilidade e resistência, com vários modelos de design diferenciados à escolha:

- Linha Comercial modelos UNO/RIO/ARCO (e outros).... R$ 378,00  

Espero ter ajudado com estas informações básicas, estando sempre à disposição do necessário.
Atenciosamente;
Ennio Oliveira
Cicloparking

   

Custos de preparação da área.   

Em 2009, o Banco Central instalou um dos melhores bicicletários do DF, o primeiro que usou o suporte em U invertido na cidade. Veja mais no post Bicicletas no Banco Central   

Foi necessário preparar toda área, que sofria com invasão de carros e motos e com o acúmulo de água e detritos na época da chuva. Foi preciso construir um piso elevado para instalar adequadamente 2 conjuntos de suporte. O custo total da reforma está detalhado na tabela:   

tabela de preços
[clique na imagem para ampliar]   

O terceiro conjunto citado na tabela foi instalado em outro local, sem necessidade de grandes acertos no piso. De modo aproximado, o custo unitário por suporte instalado com toda a preparação da área ficou em torno de R$500,00.   

O que é melhor?   

Recomendamos fazer uma pesquisa entre as serralherias da sua cidade. Colete pelo menos 3 orçamentos. Adote o modelo U invertido e evite bicicletário tipo grelha ou "escorredor de pratos". Bicicletários ruins não serão usados, é dinheiro jogado fora. Utilize nosso Manual com Diagramas para construção e instalação. Preocupe-se com os preços, mas lembre-se que a boa qualidade reduz os custos ao longo do tempo. Por isto, compare os orçamentos locais com os preços encontrados via internet. Nem sempre é preciso adequar a área do bicicicletário, mas se for preciso, construa pisos elevados, rampas de acesso e delimite bem a área.   

  

Consideramos bicicletário qualquer tipo de estacionamento para bicicleta. O bicicletário é composto de uma área (para aproximação, manobras, etc) e de suportes (peças metálicas onde são apoiadas e trancadas as bicicletas). A área pode ser delimitada por placas, pinturas no solo e piso diferenciado. A instalação exige alguns estudos, para evitar conflitos com pedestres, automóveis e permitir as manobras necessárias da bicicleta.   

Veja mais em:
Guia para bicicletário Sustrans-UK, traduzido pela TA
Guia para bicicletários AAPB-EUA, traduzido pela TA
Soluções criativas para bicicletários, de onde foram tiradas as fotos que ilustram este post.   

 

22jun/104

Um dia em Copenhague

Simplesmente muitas pessoas em diferentes bicicletas, muitas vezes. Assim é o dia a dia em Copenhague.
E é apenas o primeiro dia do Velocity 2010.

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24mai/101

Espaço público em debate

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Almoço grátis não existe. E no uso do espaço público, tudo que é de graça na verdade tem seu custo dividido por todos. Um exemplo clássico é o estacionamento gratuito de automóveis particulares nas vias. Um espaço que pertence à sociedade é utilizado livremente pelo dono de uma propriedade particular.

No nobre bairro de Moema, em São Paulo, a prefeitura, reduziu o espaço para o estacionamento gratuito visando benefícios para a fluidez do trânsito. Além disso, para compensar a redução dos espaços para estacionar, implantou o estacionamento rotativo nas ruas. Tudo para gerenciar de maneira mais eficiente o território limitado das ruas.

A medida, infelizmente, gerou descontentamento junto a um grupo de moradores e comerciantes da região. Um caso claro de confusão entre interesses privados e o bem maior.

Reverter o cenário de imobilidade motorizada em São Paulo envolve uma série de medidas, muitas vezes polêmica. A restrição ao estacionamento em locais públicos é uma delas.

Isso implica na readequação da circulação de moradores e visitantes do bairro. Comerciantes precisam depender mais da clientela local que aos poucos terá mais incentivos para deixar o carro na garagem e circular a pé ou de bicicleta pelo próprio bairro.

Para qualificar o debate, estão sendo promovidas audiências públicas na Assembléia Legislativa:

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Serviço:
Audiência Pública
Terça-feira, dia 25 - às 19h
Local: Plenário José Bonifácio
Assembleia Legislativa de São Paulo
Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, 1 andar
Em frente ao Parque do Ibirapuera

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